segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Seus caprichos valem lágrimas?

Passou a semana inteira e o assunto é a enfermeira que espancou e matou o cachorrinho da raça Yorkshire. Todas as pessoas  enviando mensagens comovidas ou revoltadas sobre o ocorrido. Todos querendo justiça para o pobre cachorrinho e que a autora do crime pague pelo ato cruel que cometeu. Bom, e o que me dizem de todos os bezerros que passam os primeiros  meses de suas vidas trancados em um espaço onde não podem se movimentar ou ficar de pé recebendo uma dieta para ficarem anêmicos e serem sacrificados com 4 meses de vida para que você tenha no jantar uma carne branquinha e macia chamada Vitela? Isso não é crueldade? O que me diz das galinhas que ficam espremidas em gaiolas e têm seus bicos cortados para não ferirem umas as outras pelo estresse e sua única função de vida (se é que se pode chamar isso de vida) é botar ovos para que você tenha um omelete no seu almoço? Ou ainda sobre os porcos que recebem um corte na barriga e sangram até a morte só para você poder fazer um churrasco no domingo? Sabe suas maquiagens e cremes? São esfregados nos olhos de macacos e beagles na fase de teste pra terem certeza que não te darão uma alergia. Ou macacos que passam anos trancados em jaulas sem nunca verem a luz dos sol recebendo choques para você ter algum produto fútil em casa.
Agora, você acha, sinceramente, que o bezerro, a galinha, o porco ou o macaco sofrem ou sofreram menos que esse Yorkshire? Que esses animais não merecem sua compaixão? É fácil se indignar com esses vídeos na internet, não é mesmo? Ou fazer um vídeo desses.  Mas por que essa pessoa que filmou não fez alguma coisa, não telefonou para a polícia, sociedade protetora dos animais ou bateu à porta da enfermeira e salvou a vida no bichinho? É fácil sentir dó de um gatinho com fome na rua, não é? Então, por que você não sai da sua zona de conforto e faz alguma coisa para mudar essa realidade? Essa crueldade acontece todos os dias com animais vítimas do seu comodismo. Eles sofrem maus-tratos e mortes cruéis pelo seu capricho. Então, por favor, chega de hipocrisia. Chega de fingir que vive na ignorância. Faça alguma coisa que realmente mude essa realidade. Repense!

Por Marlise Carvalho

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

EMPLAVI consegue autorização da Justiça para Processar em 224mil reais apoiadores do Santuário dos Pajés


A justiça aceitou hoje processo movido pela EMPLAVI para processar em R$ 244 mil reais 9 apoiadores do Santuário dos Pajés.

A empresa que invadiu a terra indígena bananal em 03 de Outubro, sem o termo de posse do terreno, que só foi conquistado 1 mês depois do início da invasão, cobra pelas cercas que erguidas irregularmente foram derrubadas por 3 vezes, e por mais estarrecedor que pareça, pelos seguranças armados com arma de fogo, gás de pimenta e armas de choque, que teve que bancar para promover a invasão.

A maioria das 9 pessoas que foram citados como Reus no processo foram também presos quando tentaram evitar o desmatamento ilegal da terra indígena. Fiquei perplexo em ver meu nome como o 1º dos Reus pois o movimento jamais teve lideres além do coração de cada um das centenas de pessoas que apoiam o Santuário dos Pajés, e estiveram nos atos de resistência e defesa da terra Indígena.

A terra indígena bananal é tradicionalmente ocupada desde 1957 e sua área deve ser demarcada em 51 hectáres, é o que diz o laudo antropológico contratado pela FUNAI e divulgado em agosto de 2011.

Estamos diante de um violento ataque a Constituição Federal, que no seu artigo 231 diz que apenas a União pode demarcar terra indígena. Aqui na Capital do Brasil, Arruda e PO com a Terracap demarcaram terra indígena ao venderem em 2009 lotes em toda a área ocupada pelos Fulni-ô Tapuia. E o Governo Agnelo, ao invés de construir um novo caminho, apoia até o momento o velho caminho e colabora, prendendo e reprimindo com violência @s apoiadores.

O movimento de apoiador@s do Santuário dos Pajés já começou a se mobilizar contra a criminalização de alguns poucos como forma de oprimir o processo de resistência.

Abaixo o absurdo processo judicial acatado hoje:

Circunscrição : 1 - BRASILIA
Processo : 2011.01.1.227120-4 Data Dist. : 06/12/2011
Numeração Única do Processo(CNJ) : 0214930-84.2011.8.07.0001
Preferência na Tramitação : Não
Vara : 212 - DECIMA SEGUNDA VARA CIVEL
Natureza da Vara : JUDICIAL
Endereço da Vara : PÇ MUNICIPAL, LT. 01, ANEXO "B", 5º ANDAR, ALA "B", SL. 511 
Horário de Funcionamento da Vara : 12:00 as 19:00
Feito : 1800 - REPARACAO DE DANOS
Procedimento : 1 - SUMARIO
Valor da Causa: 224.265,61
Requerente : EMPLAVI INCORPORACOES IMOBILIARIAS LTDA 
Advogado Autor: DF018795 - DANIEL SANTOS GUIMARAES 
Requerido : DIOGO RAIMUNDO RAMALHO e Outros 
Filiação : NAO CONSTA
NAO CONSTA 
Advogado Reu : DF999999 - SEM INFORMACAO DE ADVOGADO
Origem : Nao
Material : Nao
Seg. Justiça : Nao


Diogo Ramalho é estudante de Letras Espanhol da UnB e Editor do Jornal O MIRACULOSO



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mulheres no Volante em Brasília

Mulheres no Volante (MnV) é um festival cultural feminista independente realizado em Juiz de Fora (MG). Criado em 2007, busca valorizar o trabalho artístico das mulheres e contribuir para o exercício de sua cidadania. Não tem caráter competitivo, visa divulgar o trabalho das artistas e fomentar novas produções através de shows, oficinas, debates, mostra de vídeos e exposições.

A ideia de criar um festival de bandas femininas surge diante da sensação incômoda de ir a eventos e só ver homens no palco e na produção. Mas o MnV agrega também diversas outras manifestações artísticas, como fotografia, artes plásticas, videoarte, dança e literatura. Dando visibilidade às mulheres que produzem arte e instrumentalizando as que ainda não estão inseridas nesse meio, o festival pretende contribuir para superar essa histórica desigualdade de gênero. Sim, queremos mudar o mundo. E resolvemos começar pela cultura.
Já passaram pelo palco do MnV bandas como As Mercenárias (SP), Dominatrix (SP), The Biggs (SP), Voz del Fuego & Lingerie Underground (RJ), As Doidivinas (RJ) e Unidade Imaginária (RJ). Em 2010, o Festival recebeu o Troféu Mulher Cidadã, da Prefeitura de Juiz de Fora, em reconhecimento por sua atuação na cidade.
Mais uma vez, provamos que as mulheres são capazes de dirigir seus automóveis, suas vidas e seu próprio festival.
PROGRAMAÇÃO OFICIAL DO MNV – BSB
SÁBADO (10/12/11)
16h – oficina de fanzine e linguagens visuais – tainá novellino (mnv)
20h – discotecagem “mulheres nas pickups”
DOMINGO (11/12/11)
16h – oficina de ciberativismo feminista – bruna (mnv), pola (marcha mundial das mulheres) e srta bia (blogueiras feministas)
19h – mostra de vídeos (vulva la vida, mulheres no volante e 3a ação da marcha)

20h – discotecagem “mulheres nas pickups”
SEGUNDA (12/12/11)
21h – roda de conversa com artistas e produtoras culturais “cultura livre e feminismo: liberdade ou é para tod@s ou é tudo por nada”
22h – shows




sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A oligarquia comunista do desenvolvimento e do progresso que passou: o novo código anti-florestal

Embora alguns  possam dizer sobre a forma e o conteúdo um tanto impertinentes desse modesto escrito; não sou de direita, principalmente dessa direita recém-saída do armário, jovem e engraçadinha, que ideologicamente afirma combater ideologias. Também não sou comunista ou esquerdista, procuro não me aparelhar de nenhum lado, pois várias vezes, pude perceber, nas idéias e nas atitudes, como os "opostos se encontram nos extremos da ferradura".  Não tenho partido, e muitas vezes até sou injusto com pessoas que militam em partidos, por puro preconceito, ou desconfiança mesmo. E também não sou especialista em meio ambiente ou preservação das florestas, mas ao que parece, isso não importa muito para opinar sobre o novo código florestal brasileiro. O que se tem ouvido seguidas vezes é que o relator dessa matéria, o deputado da “esquerda” brasileira, Aldo Rebelo, ignora totalmente as considerações e ponderações oferecidas a ele por especialistas, cientistas e estudiosos. Por vezes vasa algum conteúdo dessa polêmica matéria, que nos assusta.

O foco da discussão se concentra na área de proteção mínima, anistia a desmatadores e a proteção das margens dos rios. Pois bem, outro dia, numa notícia sobre o caso descubro que há a proposta de retirar os manguezais da classificação de “área de proteção”. Tudo bem, eu não sou especialista, nem o Aldo Rebelo, apesar de ser do PCdoB, é comunista. E hoje em dia, nessa confusão que está a política brasileira, onde não se sabe mais quem é de direita ou esquerda, ou se isso ainda existe, o que se pode inferir dessas incertezas é que o Sr. Aldo Rebelo não está nem aí para a causa do “povo”, nem mesmo da maioria da população, como prega a democracia. Nesse aspecto, talvez ele se assemelhe mais aos comunistas tradicionais, que ninguém quer ver, mas todo mundo pode perceber, sempre tiveram uma quedinha por decisões autoritárias e personalistas. Ignora os cientistas e ignora a população que se mostra contra o “seu” código; ignora uma enquete feita pelo site da Câmara na semana de votação do “seu” código, onde se expressou, em mais um meio, a esmagadora rejeição ao “seu” código.

Me espantou ainda uma fala do velho comunista, a um programa de entrevistas na TV Bandeirantes, onde afirma que não podemos nos sobrepor aos direitos de pessoas que são proprietárias dessas terras a gerações, “pelo menos trezentos anos”, como ele colocou.  Peraí. Como assim? É isso mesmo que ele disse? Provavelmente ele diria que não, mas eu ouvi Sr. Aldo Rebelo. Ora! Mas o que é isso, como pode o deputado do partido comunista se colocar assim tão despojadamente em defesa das oligarquias latifundiárias??? Fica claro aí pra quem é essa lei que ele defende.

A partir daí podemos ter idéia também do que o presidente da “nossa” Câmara dos Deputados pode considerar a respeito de questões como a reforma agrária, a violência contra os ambientalistas no Pará, a construção da Hidrelétrica de Belo Monte (que da mesma forma que o tal código é rejeitada pela  maioria da comunidade científica, e mais ainda, contestada pelo Legislativo e organismo internacionais de defesa do meio ambiente) ou ainda, a  demarcação de terras indígenas. Tudo isso a beira de 2012, que se não for o fim do mundo, vai ser o ano de um evento que a essa altura chega a ser irônico, o “Rio + 20”, onde, vinte anos depois da ECO 92, vamos fazer uma avaliação e um balanço das políticas ambientais.

No fim das contas, o que me parece é que esses que chegaram ao poder, os revolucionários dos anos 60-70 ainda estão lá! Ainda pensam como stalinistas autoritários, ainda se consideram uma vanguarda que vai fazer o que é melhor para a felicidade do povo, que, alienado não sabe o que é melhor para si próprio, e ainda estão na mesma mentalidade do regime que combateram, o desenvolvimentismo a tudo custo, tentando imitar os países do “primeiro mundo”. 

Espero que nada disso dê certo, nem o que é feito com as ruins ou, no caso do Sr. Aldo Rebelo, com as “boas” intenções (ele afirma, veja só, pensar, sobretudo na Agricultura Familiar). Espero que o Brasil continue navegando torto, errando o caminho, se atrasando e praticando sua melhor característica, que a muito vem o salvando de todas as boas e ruins intenções para ele, o de não se adaptar. Até, pelo menos, encontrarmos os nossos meios, longe dos modelos de desenvolvimento estrangeiros. Se até lá, claro, não tivermos destruído o nosso principal recurso, talvez a alma motriz de uma mudança realmente autêntica: nossas populações tradicionais, os que dependem da terra, dos rios e das florestas. Sistematicamente mortos por fome, descaso, destruição dos modos de vida e emboscadas. Quando o último extrativista de castanha morrer, o Sr. Aldo estará brindando com os madeireiros e latifundiários, e o Brasil pode começar a dar certo e finalmente, vislumbrar o progresso desenvolvimentista. Sonho comum dos militares e dos comunistas...

Por Pedro M.

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