sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não se move um Santuário!

Numa operação que remete as invasões que a PM fez à UNB nos anos da ditadura militar no Brasil, o Governo petista de Agnelo Queiroz mandou quase 200 policiais militares hoje pela manhã ao Santuário dos Pajés, para prenderem todxs xs apoiadorxs do Santuário que há semanas estavam protegendo o cerrado nativo da área onde se encontram os indícios da ocupação tradicional de mais de 40 anos dos Tapuya Fulni-o na área. Cerca de 20 pessoas foram presas e levadas ao 2º DP por defender a natureza e os direitos indígenas, o que segundo Agnelo é Crime! Essa ação demonstra claramente que não há liberdade de manifestação no Distrito Federal, e que os mesmos que há pouco mais de 40 anos fizeram suas carreiras políticas oportunamente se autoproclamando defensores da liberdade e dos direitos humanos, quando não eram governo, e o Brasil era governado pelos militares, hoje estão no governo destruindo a natureza, mandando a polícia espancar manifestantes, destruindo as história indígena, e defendendo única e exclusivamente os interesses dos que financiaram suas campanhas.


Essa é a Ditadura Democrática de Direito. Onde só tem direito quem pode pagar por ele. Onde funcionários públicos empossados por cargos de confiança especialmente a senhora Maria Auxiliadora Cruz de Sá Leão, diretora de assuntos fundiários da Funai, o senhor Procurador-Geral da Funai, Dr. Antônio Salmeirão, e a senhora Giovana Acácia Tempesta, Coordenadora de Identificação e Delimitação de Terras Indígenas, podem por conta própria deslegitimar um Laudo Antropológico sem entrar no mérito da questão, dizendo apenas que não é suficiente, criando leis tiradas de suas próprias cabeças ao afirmarem que cada povo indígena só tem direito a uma terra tradicional, sem saber qual o marco legal estabelece tal celeuma.


Nesse momento, as empresas Emplavi (financiadora da campanha de Agnelo), Brasal e João Fortes seguem destruindo o Santuário dos Pajés, no intuito de apagar os indícios de ocupação tradicional da área, para construir prédios onde uma kitinete chega custar meio milhão de reais, essa é a política de habitação do Governo Agnelo, investindo na especulação imobiliária, assumindo a corrupção de Arruda sem questionar, reafirmando todo o processo irregular de licenciamento e venda do setor noroeste, dando prosseguimento ao Plano de Ordenamento Territorial) PDOT que só foi aprovado por meio de propina, como aponta a operação caixa de pandora. E assim o Estado Colonial vai ativamente cumprindo sua função, fazendo a limpeza étnica na capital do Brasil, destruindo nossa memória ancestral, numa cruzada fascista para impor as pessoas uma história única, uma crença única, uma cultura única. 

O dia hoje foi pesado e de muita luta para salvar o cerrado e o direitos dos Tapuya de permanecer nos 50 hectares do Santuário dos Pajés.
A expectativa é que amanhã as empresas tentem continuar produzindo suas invasões e derrubando o cerrado.
É fundamental a presença de muitas pessoas lá já nas primeiras horas da manhã… é só com um grande contingente de pessoas que garantimos nossa possibilidade de protestar passificamente contra as construções sem que a polícia se sinta à vontade para cometer as arbitrariedades que cometeu hoje.
Hasta mañana….
Hasta Siempre…..
Santuário Não Se Move !

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