segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Natureza x Cultura: a indústria de cosméticos e seu projeto civilizatório

Toda menina aprende desde muito jovem um repertório de classificações sobre seu próprio corpo que nos permite acessar a infinidade de promessas vendidas pelo mercado da beleza: se sua pele é seca, mista, oleosa, superseca, seca de dia e oleosa à noite; se o cabelo é ressecado, quebradiço, fraco, forte, volumoso, sem volume, liso, superliso, encaracolado, crespo (atenção: qualquer que seja ele, ele é problemático). Sabemos que não podemos usar o mesmo sabonete pro rosto e pro corpo, e todas nós sabemos da importância de usar sabonete íntimo, de tirar a maquiagem antes de dormir, de passar a maquiagem certa antes de sair: maquiagem pro dia, pra noite, pra sair, pra trabalhar, etc , etc…

Tem que passar corretivo pra corrigir as imperfeições. Tem que fazer limpeza de pele, tem que clarear a pele, clarear o cabelo, tirar as manchas, alisar o cabelo. Tem que se depilar: buço, axilas, virilha, pernas, braços, tudo. É “higiênico”. Tem que fazer. OK? Ir pela primeira vez ao salão de beleza é tornar-se mulher. É assim.

Entre 2006 e 2011, a venda de produtos de depilação aumentou em 299%, os produtos cosméticos em 281% no Brasil. O Brasil representa o terceiro maior mercado de cosméticos no mundo, atrás somente dos Estados Unidos e do Japão. Em 2012, o país movimentou US$42 bilhões em gastos no setor. É o primeiro mercado em perfumaria, segundo em produtos para cabelos.

Nesta performance-protesto, Jacqueline Traide, de 24 anos, como uma cobaia humana, foi submetida a diversas práticas bastante comuns em laboratórios de testes de produtos em animais.

A indústria de cosméticos promete civilizar nossos corpos, peles, cabelos imperfeitos e selvagens. Civilizar culturalmente e politicamente nossos corpos para serem magros, o mais branco possível, para nossos cabelos serem lisos ou perfeitamente encaracolados, igual-às-atrizes-da-novela. Utilizam animais para testar suas maravilhas civilizatórias, estes animais que fazem parte, assim como nós mulheres, do reino da natureza e da selvageria. Os animais que não tem muito que escolher, são também usados pelo e para um projeto civilizador. Os cosméticos querem nos curar do mundo obscuro e medieval das espinhas-cravos, sobrancelhas-por-fazer. São a luz para as peles “escurecidas”, são a cura para os “cabelos rebeldes”. Os beagles garantem. É tudo de boa qualidade. É tudo bem moderno do jeito que sempre desejamos ser.

O que o feminismo tem a ver com isso? É ele (ou seja, nós juntas) que vai nos dizer que ser assim, do jeito que somos, já é uma resistência. Uma resistência diária que nos coloca ao lado da natureza selvagem (nós e os beagles), fortalecendo a luta por uma vida livre da indústria de cosméticos e sua salvação plastificadora e opressora. Uma industria que é movida pela produção de agressões aos nossos corpos, pelo ataque à nossa autoestima. Nos dizem todos os dias que: ”o que é nosso é feio” e “mal-tratado”. Sofrem os beagles, sofremos nós nas macas de tortura, branquinhas-branquinhas, que arrancam nossos pelos para sermos limpinhas. Pois bem, somos esse exército de mulheres sujas e selvagens vandalizando todos os dias contra o patrimônio civilizador dos cosméticos.

Não à domesticação dos nossos corpos!

Até que todas e todos sejamos livres.
(Inclusive os Beagles).

*Por coletivo Rosa dos Ventos, núcleo da Marcha Mundial das Mulheres no Rio de Janeiro

FONTE: Marcha Mundial das Mulheres


Sobre a autora:
May Alves
May Alves - Cientista ambiental em formação, baixista, vegetariana, flamenguista, taurina e ativista. Luta por suas ideias e ideais. Acredita em um mundo melhor, com pessoas melhores. Mudou pra São Paulo porque seus sonhos não couberam mais em Brasília.
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sábado, 19 de outubro de 2013

Anvisa envia nota oficial à imprensa afirmando validação de testes substitutivos aos animais

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enviou agora há pouco uma nota oficial para a imprensa afirmando que devem ser usados métodos substitutivos aos animais nos testes feitos pelos laboratórios. A nota diz ainda que As regras para o uso de animais em pesquisa não são definidas pela Anvisa e não são objeto de fiscalização da Agência. Este tema é tratado na Lei 11.794, Lei Arouca, e pelos comitês de éticas em pesquisa com animais, ligados ao Sistema de Comitês de Ética em Pesquisa.

Leia abaixo a íntegra do comunicado:

A Anvisa firmou há dois anos uma cooperação com o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam), ligado ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS-Fiocruz), para que sejam validados métodos alternativos que dispensem o uso de animais.

As regras para o uso de animais em pesquisa não são definidas pela Anvisa e não são objeto de fiscalização da Agência. Este tema é tratado na Lei 11.794, Lei Arouca, e pelos comitês de éticas em pesquisa com animais, ligados ao Sistema de Comitês de Ética em Pesquisa.

No âmbito da Avisa não há exigência expressa para o uso de animais em testes, mas sim da apresentação de dados que comprovem a segurança dos diversos produtos registrados na Agência. Métodos alternativos são aceitos pela Agência desde que sejam capazes de comprovar a segurança do produto.

FONTE: ANDA News

Sobre a autora:
May Alves
May Alves - Cientista ambiental em formação, baixista, vegetariana, flamenguista, taurina e ativista. Luta por suas ideias e ideais. Acredita em um mundo melhor, com pessoas melhores. Mudou pra São Paulo porque seus sonhos não couberam mais em Brasília.

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Convocação: Ocupa São Roque • Protesto contra o Instituto Royal • Sábado, 19/10



ATENÇÃO: Atualizações em tempo real, clique aqui.

Se você não sabe o que está acontecendo, clique aqui e veja a matéria anterior sobre o caso.

Duas ativistas estão acorrentadas no portão do Instituto Royal desde sábado (12/10). A empresária Adriana Khouri (Facebook) e a designer de jóias Adriana Greco (Facebook) encerraram nesta terça-feira a greve de fome que mantinham desde domingo, após uma reunião com a presença do prefeito, de vereadores e de representantes do Instituto Royal.

Os resultados da reunião e os próximos passos judiciais não foram informados por razões estratégicas, mas o que o grupo de ativistas pede agora é que a pressão popular aumente. Para tanto, está marcado para o próximo sábado um grande ato em frente ao Instituto Royal, para demonstrar o descontentamento da sociedade com as práticas cruéis cometidas atrás dos muros da instituição.

Os organizadores pedem que os manifestantes compareçam com calma, não é um chamado para a invasão do local. Os ativistas reforçam que os animais precisam ser tirados de lá via medidas judiciais e qualquer atitude precipitada pode atrapalhar a ação e prejudicar os que mais sofrem com isso tudo.

Compareça e convide os amigos. Compartilhar no Facebook.

Serviço

Ocupa São Roque • Protesto contra o Instituto Royal


Data: Sábado, 19/10/2013
Horário: Pontualmente às 10hs da manhã
Local da concentração:
Altura do KM 56 da Rodovia Raposo Tavares (entrada do Hotel e Restaurante Stefano) | MAPA

Se você vai usar GPS, coloque R. Luiz Matheus Mailasqui, 500 – São Roque-SP (este é o local aproximado da concentração, não é o endereço do Instituto Royal).

O que levar?
Castanhas e outros alimentos veganos não perecíveis. O local é afastado e pode ser complicado conseguir alimentos livres de crueldade por lá. Leve também cartazes e faixas pedindo o fim dos testes em animais.

O que vestir?
Roupa preta, confortável.

Quem pode participar?
Qualquer pessoa que acha errado torturar animais em nome da ciência.


FONTE: Vista-se


Sobre a autora:
May Alves
May Alves - Cientista ambiental em formação, baixista, vegetariana, flamenguista, taurina e ativista. Luta por suas ideias e ideais. Acredita em um mundo melhor, com pessoas melhores. Mudou pra São Paulo porque seus sonhos não couberam mais em Brasília.
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